quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Direito a dizer NÃO



Um título destes poderia remeter para uma dessas campanhas pelo pseudo direito à vida, que condenam o aborto. Não vou falar sobre o aborto, vou falar do direito à escolha e do direito a ter uma vida saudável.

Considero o tabaco o pior flagelo de todos os tempos...muito mais do que as heroínas e as cocaínas. Já não incluo as doenças no lote dos flagelos já que muitas delas, cardiovasculares, certos cancros e afins, estão grande parte das vezes, directamente relacionadas com o consumo de tabaco.

Mas dizia eu, o maior flagelo de todos os tempos, porque é aquele que mais me incomoda.
Um dia escolhi não fumar, mas esse direito é-me sistematicamente negado quando vou a um café tomar o pequeno almoço, quando saio para me divertir com os amigos e até na minha própria casa.

Tenho notado que, ultimamente, ando mais sensível ao fumo. Se antes estava num espaço, duas ou três horas, mamava kilos de fumo dos outros e vinha embora toda contente a cheirar mal e com os pulmões carregados, hoje em dia essa é uma ideia que nem sequer consigo conceber.

E ainda bem, já que a grande maioria dos fumadores não demonstra qualquer tipo de respeito pelos não fumadores, e olhem que são muitos, cerca de 27% dos Portugueses fuma...é uma percentagem muito significativa. Esses 27% fumam em média 18 cigarros por dia.

Pode não haver dinheiro para férias, ou para roupa, até para comer, mas para comprar 1 maço de tabaco por dia, que custa 700 paus, há sempre dinheiro. São cerca de 20 contos por mês...100 euros, a média mensal gasta por cada fumador em tabaco!!!

Deixei de frequentar discotecas e é rara a vez que vou a bares, nos restaurantes peço mesa para não fumadores. Descobri que assim poupo dinheiro na lavandaria, não preciso de mandar lavar o casaco sempre que saio à noite.
É realmente algo que me incomoda, no dia seguinte, a roupa a tresandar a tabaco receso.

A boa notícia é que nos últimos 3 anos o número de fumadores diminuiu, há mais pessoas a nunca terem experimentado e mais gente a deixar o tabaco. Foi esta a evolução ocorrida na generalidade dos países da União Europeia, incluindo Portugal. Os dados foram divulgados ontem e resultam de um inquérito realizado em 2005 no espaço comunitário.

A percentagem de fumadores na Europa caiu de forma significativa: passou de 33 por cento para 26 por cento o que não deixa de ser um indicador positivo. Em Portugal passou de 29% para 27%.

A sensibilização parece estar a dar alguns frutos, nomeadamente pela informação disponibilizada nos maços de tabaco, pela inflação de preços que estes têm conhecido e obviamente pela proibição de fumar em cada vez mais espaços.

Esta última é provavelmente a medida mais fundamental de todas. É um atentado os cafés, restaurantes, bares e discotecas continuarem a permitir o consumo de tabaco. Pelo menos que se criassem espaços para fumadores e outros exclusivos para não fumadores, e não digo zonas, digo espaços, porque o fumo não respeita letreiros. Se os que fumam não se querem preservar, há que introduzir legislação para proteger aqueles que escolheram não fumar, já que esse é um direito fundamental.

4 comentários:

PC disse...

Ora já fazia falta um post sobre esta temática! Concordo plenamente no que foi dito e é realmente lamentável que em Portugal continuemos tão atrasados..Nos EUA, no Canadá e em muitos mais paises já é proibido fumar em espaços públicos como shoppings e restaurantes, e mesmo nas discotecas só é permitido fumar num espaço ao ar livre! Confesso que estou mesmo ansiosa que nesse aspecto a civilização chegue a Portugal! Fico contente que os pensos para deixar de fumar estejam a ter sucesso mas ainda nao chega.

No meu dia-a-dia a luta é constante. Desde que comecei a trabalhar tenho sido um mártir...é verdade!! O patrão diz que não deixa ninguém fumar nas salas de trabalho mas ele anda para aqui a passear e a deixar o seu "rasto tabágico", é HORRIVEL!!! E o chefe também fuma no gabinete dele..onde tenho que ir montes de vezes ao dia...resultado: chego a casa com um cheiro a tabaco que ninguém aguenta..e eu noto mesmo fisicamente também, é impressionante!

No meu dia-a-dia, ambiente extra trabalho, já começo a ir a determinados restaurantes que têm sala de não fumadores, em detrimento de outros.
Quanto a amigos e afins, já dei o meu pequeno contributo ao persuadir o SM a deixar de fumar. Para mim foi uma vitória, se me permitem. E daqui para a frente não me imagino mesmo a "estar" com alguém que fume, seria uma tortura...já bastaram 4 anos assim ok?!

Cris disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cris disse...

A questão dos direitos do não fumador sempre foi negligenciada. Durante anos tivemos que nos submeter à vontade dos fumadores. Estes sempre apelaram aos seus direitos e liberdades pessoais, dizendo que o vício é deles e que nada temos a ver com isso. Mas novidade, temos. Como já muitas vezes se disse, a nossa liberdade termina quando começa a dos outros. Por isso, não, os fumadores não têm liberdade para fazer o que quiserem e acho muito triste quando vejo fumadores a reagirem mal quando educadamente lhes peço para não fumarem durante as refeições ou quando estou adoentada, por exemplo. Reagem como se lhes estivesse a impor uma moral. Não estou. Podem fumar à vontade que não condeno ninguém. A opção é deles. Mas quem se prejudica não são apenas eles. Será que é assim tão dificil entender isso? Quem está afinal a impor o que, a quem?

Não fumo e não gosto que fumem na minha presença e durante anos fui obrigada a conviver com o fumo dos outros. Em casa, felizmente, ninguém sofre desse terrível vicio, mas entre amigos contam-se pelos dedos os não fumadores. E cada vez que vou ao café, para estar com amigos, saio de lá a tresandar a tabaco, muitas vezes a tossir e com os vermelhos vermelhos do fumo.

Gostava de viver num país que fosse livre deste mal, que não obrigasse pessoas que optam por uma vida saudável a ter que se afastar de sítios fechados, sejam restaurantes ou bares, porque a sua saúde é posta em causa. É triste como a lei e as pessoas, mesmo muitas vezes não fumadores, cedem às conveniências económicas e sociais para não lhes afectar o negócio. E assim, vai-se perpetuando este mal e pondo em causa a saúde pública. Bem, realmente não se entende esta lógica. Não se entende uma lei que teme consequências e represálias quando o que está em questão é um bem maior do que todos os outros: a saúde das pessoas.

É bom ver que, de alguma forma, os números apresentados são animadores e que as mentalidades estão a mudar. Principalmente a mentalidade daqueles que podem efectivamente fazer mudanças. . Mas ainda assim, as medidas tardam em aparecer. Muito já se falou da lei que vai limitar o fumo a lugares próprios para fumadores mas em concreto ainda vejo poucas mudanças. É pena. Pelos vistos ainda há quem tenha que rever a sua lista de prioridades.

Mariana disse...

Segundo a OMS, 50 mil pessoas morrem, por ano no mundo, pelo fumo passivo...Quando se falou dessa lei que obrigaria a haver espaços para não fumadores em todos os sítios públicos, eu andava ansiosa que saisse porque na verdade já não vou há imenso tempo à disco ocasionalmente por causa do maldito fumo. E isso do casaco para levar à lavandaria DR, também acontece comigo. Muitas vezes nem levo aos bares os meus casacos compridos precisamente por isso.