sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Que ilustres são os portugueses...!

Ainda bem que não fui a única a achar completamente estranho e despropositado (isto para não dizer outra coisa) ver o nome Hélio Pestana na lista dos "100 Grandes Portugueses", uma votação pública promovida pela RTP1 destinada a eleger o português mais ilustre.
"Quem é Hélio Pestana?", começa assim um artigo do JN de hoje, cujo título é "O mistério da escolha da ex-ministra e de Hélio Pestana". E eu pergunto novamente. "Quem é o Hélio Pestana???" Bem, claro que o reconheci da série de televisão Morangos com Açúcar, mas realmente custar a acreditar que alguém (e terá sido um considerável número de pessoas), tenha votado nele.

No fundo, este programa pouco ou nada interessa. Mas não deixa de reflectir, de alguma forma, o que se passa na cabecinha pensante dos portugueses e que referências eles têm. Enfim, um actor novato, que até pouco impacto teve na série, não era sequer protagonista, acabou por influênciar a vida de muita gente. Nada de errado nisso. Mas fará algum sentido, em algum tempo ou lugar, tê-lo numa lista que fala de nomes como Amália Rodrigues, António Lobo Antunes ou António Damásio?

Voltando a Hélio Pestana (relembro os mais distraídos, o actor de Morangos com Açúcar), quando questionado sobre esta votação, também ele reagiu com surpresa e encontrou no seu clube de fãs a justificação possível. Sim, faz algum sentido. Mas partindo desse princípio, só me admira não vermos mais nomes sonantes da tão conhecida série, nesta tão ilustre lista!

O que também não deixa de ser surpreendente foi ver a ex-ministra da Educação, Maria do Carmo Seabra, na lista. Quem é que se foi lembrar desta personalidade, que ainda para mais esteve no governo apenas 4 meses? (no governo de Santana Lopes) A própria refere ser "desproporcional" estar lado a lado com grandes nomes do nosso país.

Mais um exemplo de que este programa, no fundo, não tem razão de ser e que dar ao povo a liberdade de escolher livremente... às vezes dá nisto! Em disparate! Porque convenhamos, dificilmente este dois casos constituem um exemplo a seguir ou um ícone nacional.

Enfim, não faço qualquer intenção de participar com o meu voto mas confesso que aguardo com alguma curiosidade o resultado último desta votação. Quem será o feliz contemplado???

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Direito à vida ou direito à opção?

Daqui a precisamente um mês vota-se no referendo que vai ou não alterar o contexto do aborto na lei portuguesa. Em concreto a questão dirá «Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?». A pergunta é exactamente igual à do referendo realizado em 1998. Terá agora resposta diferente?

Campanhas e movimentos pelo sim e pelo não multiplicam-se e, no fundo, isto não é mais do que uma batalha ideológica entre quem está a favor e quem está contra esta liberdade de escolha. Os contornos da lei são poucas vezes referidos e também pouco se fala das condições em que o aborto se virá a realizar, que despesas estão previstas, de que forma se vão alterar as estatísticas... No fundo, a questão aqui é e será apenas uma, a moral. Teremos nós este direito de optar?

Eu assumo frontalmente que vou votar no sim. Depois de muito ponderar, penso que há questões práticas que, de alguma forma, superam as morais. O que mais me leva a votar no sim é saber que, mesmo sendo ilegal, o aborto existe, faz-se em más condições e a peso de ouro. Ou seja, ainda há quem consiga fazer negócio do desespero de muitas mulheres, que não viram outra solução. De facto, quem quiser abortar, consegue fazê-lo. Toda a gente ouve falar de clínicas que pedem 500 ou 600 euros para fazer abortos, ou até de pessoas que vão a Espanha fazê-los. Eles acontecem. Não vale a pena ignorar essa realidade. E vamos fechar os olhos a isso? Permitir que pessoas enriqueçam à custa disso e que mulheres corram riscos e sofram traumas ainda maiores?

Para além da questão prática, levanta-se a questão da liberdade de escolha. Eu até posso não concordar com o aborto e não fazê-lo em circunstância alguma, mas quem sou eu para escolher pelos outros? Eu, que não conheço a realidade deles, como vivem, em que condições. Pode a lei decidir o que é melhor para a vida daquela(s) pessoa(s)?

Os argumentos são muitos e a minha opinião está formada, mas não deixo de pensar se ficarei tranquila com esta minha decisão. Receio que as pessoas não ponham a mão na consciência e que o aborto se banalize, caso seja despenalizado. Que haja mentes desequilibradas que possam ir ao ponto de pensar no aborto como uma segurança. O mesmo aconteceu em relação à pílula do dia seguinte. Surgiu com o objectivo de salvar casos de risco de gravidez e desde logo a sua finalidade foi distorcida. Todos sabemos que a pílula do dia seguinte é muitas vezes usada erradamente como método anticonceptivo. É simplesmente muito fácil, se for preciso, tomar um comprimido - por muito que ele tenha efeitos secundários - e acabar com um problema. O meu receio está aí. Na facilidade. As pessoas tendem a abusar da facilidade. E temo que, neste contexto, o aborto seja uma via fácil e não necessariamente um último recurso.

Dito isto, não há como esconder que o tema é delicado e que é impossível, a meu ver, estar absolutamente certa sobre esta decisão. Mesmo perante todas as razões lógicas que houver para dar, no fim é de uma vida, de um bebé, de um inocente que estamos a falar. E esse nada tem a dizer quanto a isto. Esse não tem direito de escolha.

Vamos ver como o país reage a este referendo. Em 1998, o não teve uma vitória clara. Terá Portugal mudado tanto assim? O que é facto é que o sim está na boca de muitos jovens, jovens esses que não tinham idade para votar em 1998. Farão a diferença?


PS - A título de curiosidade, sabiam que o realizar do referendo vai custar cerca de dez milhões de euros ao Estado?

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Número um



Ao contrário do que tem acontecido no futebol, em que temos sido os primeiros dos últimos, do género segundo ou quarto, nos grandes campeonatos em que participamos, no atletismo Portugal tem-se saído bastante melhor, como aliás não é novidade. Não fosse esta a modalidade em que os Portugueses são melhores...desde sempre!
Desta feita, Portugal tem mais um motivo de orgulho. Francis Obikwelu foi eleito Atleta Europeu do Ano de 2006, anunciou hoje a Associação Europeia de Atletismo.

O atleta de origem nigeriana, em Portugal há mais de 10 anos, conquistou o feito após um ano em que ganhou 16 corridas de 100 metros e seis de 200 e se sagrou campeão europeu em ambas as distâncias.

Um prémio merecido para um atleta de grande talento, que demonstrou que os grandes campeões também podem ser humildes.

Francis, cuja simpatia é conhecida do público, e com a qual nos tem cativado, tem este ano novo desafio nos Campeonatos do Mundo de Atletismo que terão lugar em Osaka, no próximo mês de Agosto.

Onde é que isto vai parar?

Antes de mais, desculpem a morbidez do tema. Mas acho que isto deixa qualquer um perplexo. As notícias dão-nos conta de 9 pessoas que morreram ao tentar imitar o enforcamento de Saddam, entre as quais 7 crianças, um jovem e um adulto. Incrível. Absurdo. Surreal. Como se explica isto? Custa entender e conceber tal ideia.

No caso das crianças, todos sabemos o quão influenciáveis elas são. Todos nós já ouvimos falar de crianças que se atiram dos prédios julgando ser o super-homem ou outro qualquer super herói com capacidades sobre-humanas. Mas este caso choca-me de uma forma diferente. O que se passará pela cabeça daquelas crianças? Imitam um herói ou um vilão? Será que tinham algum tipo de consciência ou noção do que aconteceu? Estas crianças tinham idades compreendidas entre os 9 e os 12 anos. A maioria imitou o enforcamento entre amigos, ou entre irmãos. Brincadeiras que acabaram assim. Quem se condena agora?

Hoje assistimos a tanta violência gratuita que se torna banal ver um homem quase a ser enforcado em plena televisão nacional. As consequências não tardaram a chegar. Eu nem quis acreditar que tais imagem iam passar, mesmo que com má qualidade ou a não revelar tudo. Errado. Condendenável. E repito. Surreal.

Quanto aos casos do jovem e do adulto, é de ficar, uma vez mais, pasmado que nem um burro perante um palácio. Uma jovem de 15 anos enforcou-se "para sentir a mesma dor que Saddam". O adulto de 35 anos, uma cidadã da Argélia, disse ter ficado traumatizada com as imagens e decidiu lançar-se de um terceiro andar para acabar com o seu desgosto. Pergunto eu, como é que isto é possível?

Entre os 9 mortos, 3 eram da Argélia, 3 do Iamén e 1 do Paquistão. O que mais esta tirania fará ao povo que ali vive e que desde sempre contactou com esta realidade de conflito, de fanatismo?

Para mim, não há lógica que explique isto. Eu sei que a frase "o mundo está perdido" é recorrente. E todos sabemos que a violência assume muitas formas e o que o Ocidente também assiste diariamente a muitos delas. Mas acho que o mundo deles está bem mais perdido. À beira de não ter qualquer salvação.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Remodelação da Invicta TV



Há novidades para as meninas que foram ao casting da Invicta TV. O que sei, li no take da Lusa, que transcrevo parcialmente a seguir. A partir daí tentem informar-se melhor. Estou certa que, se tudo correr bem, vão precisar de mais pessoas. Quem sabe se não haverá aí boas surpresas? :)

«Porto, 03 Jan (Lusa) - A operadora de televisão e Internet por cabo TvTel anunciou hoje que adquiriu os conteúdos e a marca Invicta TV - Televisão do Grande Porto à empresa Finanzza Investments, suspendendo temporariamente as emissões do canal. "Esta suspensão será aproveitada para se proceder a uma reestruturação geral do canal, assim como ao licenciamento da Invicta TV sob jurisdição portuguesa, pelo que, assim que for possível serão retomadas as emissões da Invicta TV", esclareceu Martins de Sousa.
(...)
De acordo com o responsável (...) serão mantidos os "cinco ou seis" jornalistas e operadores de câmara anteriormente contratados, que participarão na remodelação do projecto televisivo.»

O que se diz de Saddam

E porque sobre este assunto há mesmo que reflectir, deixo aqui umas citações que retirei do jornal Público, da secção "Espaço Público". Opiniões que subescrevo.

"Saddam Hussein foi julgado e enforcado pelos fantoches de Bush no governo iraquiano e Bush congratulou-se com isso e festejou efusivamente a proeza". Manuel António Pina, JN

"É dificil pensar num final mais "desculpabilizante" para um ditador como Saddan Hussein e mais incómodo para o Ocidente", José Luis Ramos Pinheiro, Correio da Manhã

"O espectáculo da morte é sempre um triste espectáculo. Primeiro por ser da morte. Depois, por se fazer dela um espectáculo"
(...)
"Não foi a justiça do Iraque que prendeu Saddam Hussein, não foi a justiça do Iraque que o vigiou e o sentou no banco dos réus. Foram todos os que se associaram, com mais ou menos armas, mais ou menos convicção, à invasão do Iraque. Foram os americanos, os ingleses, os espanhóis, os portugueses...", José Fidalgo, Público

Este último excerto é retirado da coluna regular de José Fidalgo, no Público. Vale a pena ler na íntegra.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Capítulos de uma ambição desmedida


MM, antes de mais parabéns pelo teu artigo. Este é realmente um assunto muito sério e falamos pouco dele porque ainda estamos semi-anestesiados pelas festas.

Pela importância que lhe confiro decidi fazer da minha opinião um post porque os comentários muitas vezes nem são lidos.

Quando saiu a sentença de morte do Saddam lembro-me de ter pensado "E tu Bush quando és enforcado?"

Uma reportagem arrepiante no Iraque mostrava um país no caos. Numa ambulância uma pobre gritava “tragam o Saddam de volta, ele que nos mate, porque nada é pior do que isto”. O filho desaparecera, morto nalguma sarjeta pois claro…

Sabiam que, apenas 6 horas após a morte do Saddam, tinham morrido no Iraque 73 pessoas? Em apenas 6 horas, esse texano ignorante conseguiu matar metade do número pelo qual o Saddam foi enforcado…apenas 6 horas!

E agora pergunto-me, como é que o mundo quer evoluir se andamos ao mando de 290 milhões de burros? Não quero generalizar, até porque boa parte não votou Bush. A verdade é que os inteligentes não superam os burros...e isso sim é um péssimo indicador de progresso.

E digo burros porque, para além de provocadores nojentos, não percebem que, como disse a MM e muito bem, transformaram um assassino num mártir religioso.
Atitudes como esta vão-me fazer ter menos pena deles quando voltarem a cair duas torres e morrerem centenas de inocentes…burros! Calma, não estou a justificar os doentes com o turbante na cabeça. A verdade é que, por mais atentados que eles façam, nunca vão conseguir matar mais gente que o Bush…essa glória é só dele!

E então nós somos o quê? Burros ao quadrado, pois claro. Porque nos aliamos a esse tirano com sede de poder que não tem feito mais nada nos últimos anos a não ser semear a guerra e destruir o Mundo.

Não se preocupem, estejam descansados que nós nunca seremos alvos Americanos. Sabem porquê? Obviamente porque não temos petróleo, nem riqueza, nem inteligência e coragem suficientes para condenarmos a política Americana.

Sim, já estamos fartos dos argumentos de "armas químicas", ninguém acredita neles, mas todos dizem amém com o King. E porquê este servilismo? É uma pergunta para a qual há muitos anos procuro resposta.

E não falo só das guerras que todos conhecemos, há muitas formas de destruição para além de criar conflitos.
Já se esqueceram da arrogância americana em relação a Quioto?
Os maiores porcos à face da Terra, os salvadores do Universo…são aqueles que mais rapidamente nos condenam!
E porquê??? Egoísmo, comodismo, estupidez, numa palavra: Amércica.

Por isso digo...graças a Deus não sou Americana.