segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

O humor também tem limites...

Este video mostra um sketch dos Gato Fedorento, visto a semana passada no progama "Diz que é uma espécie de magazine". É sobre o enforcamento de Saddam Hussein. Mais uma vez, foram usadas as imagens captadas ilegalmente por um telemóvel e que por muitas vezes vimos passar nas notícias. Mas este sketch vai naturalmente mais longe que isso. Está comentado e legendado mas não à boa maneira sarcástica dos Gato. Sou espectadora assídua do programa e gosto muito do trabalho deles, mas há que dizer que desta vez foram um bocadinho longe de mais...


terça-feira, 23 de janeiro de 2007

O fim dos tempos?


As questões ambientais são frequentemente desvalorizadas mas são de facto de extrema importância.

O jornais avançaram hoje com a notícia de que em 2050 os glaciares dos Alpes terão desaparecido.

De acordo com os cientistas a previsão baseia-se em dados relativos aos últimos anos, já que os glaciares da província alpina austríaca do Tirol têm vindo a encolher cerca de três por cento por ano, o que significa uma diminuição anual de cerca de um metro.

Os peritos aconselham à tomada de medidas preventivas para proteger os residentes dos vales alpinos, já que estes poderão enfrentar riscos acrescidos de cheias perigosas.

Em Portugal a situação não está longe de ser preocupante. Um ano depois de divulgados os resultados da última parte do projecto SIAM, que traçou cenários sobre a evolução do clima no nosso país até 2100, não são visíveis os esforços para medidas de adaptação que contrariem as tendências para a desertificação do território.

O Sul do país, será particularmente afectado no que toca ao aumento da temperatura e à disponibilidade de água. O JN avançou ainda que, de acordo com Luís Ribeiro, especialista na área, até 2050, o Sul do país tenha entre 30 a 40% menos água superficial. Em 2100, o Algarve verá reduzido em 80% o escoamento anual médio.

De acordo com as previsões, os próximos anos serão de aumento da temperatura (que ocorre a nível global, mas se fará sentir mais numa faixa Sul da Europa) bem como de redução da pluviosidade.

O futuro adivinha-se pouco prometedor, sinal da chegada do fim dos tempos?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Grandes PortuguesAs

Eu também vi o programa, aliás, como já referi, acho mesmo muito interessante e vou tentar não perder nenhum dos documentários...Essa intervenção foi digna de "tesourinho deprimente" do programa que antecede os Grandes Portugueses, porque de facto, foi uma intervenção muito infeliz e acho que todos se arrependeram de lhe ter dado voz..alias acho mesmo que cortaram a chamada...enfim...
Mais deprimente só a convidada que apunhalou o meu feminismo convicto. Quando questionada sobre a ausência de mulheres no top 10, esta doutorada com tres filhos respondeu que as mulheres, de facto, não são capazes de grandes feitos, porque são geneticamente diferentes e nunca conseguiriam ser capazes de fazer o mesmo que os homens...eu não posso deixar de comentar tamanha barbaridade.. não é que não concorde que as mulheres sempre tiveram um papel social secundário, mas não foi, de certeza, por questões genéticas, mas pela falta de oportunidade, de igualdade, da própria instrução!!É impossível compararmos o papel social da mulher nos séculos que antecedem a igualdade de oportunidades e mesmo actualmente sabemso o papel que ocupámos, como referiu a Maria Elisa, nos cargos de chefia, nos grandes cargos dirigentes do país, tanto no sector público como privado. Ainda é notícia uma mulher integrar certos departamentos das forças armadas, ainda é notícia a mulher que se candidata a um cargo importante, ainda é notícia a mulher que é eleita chanceler da Alemanha.
Aliás é só olharmos para a lista e vermos quem foram as mulheres escolhidas:
- Maria de Lurdes Pintassilgo - primeira (e única!) mulher que esteve à frente de um governo em Portugal
- Antónia Ferreira(Ferreirinha) - uma das primeiras mulheres no negócio do vinho do Porto
Rosa Mota - a primeira portuguesa a ganhar uma medalha olímpica
- Adelaide Cabete - Foi pioneira na reivindicação dos direitos das mulheres.

As restantes candidatas são sobretudo grandes ícones da cultura portuguesa e raínhas, aqui premiadas, não pelas suascapacidades de chefia, claro, mas pelo seu bom coração...
Tenho dito.


Encontrada solução para o problema da droga!

Está explicada a escolha de Salazar como um dos dez grandes Portugueses. Quem vivia um momento de revolta e perplexidade perante tão polémica votação, ficou no programa de hoje totalmente esclarecido. Segundo afirmou um jovem madeirense, no tempo da ditadura salazarista é que se estava bem porque, como não havia liberdade, as pessoas "não se metiam tanto na droga" e agora como recebemos o castigo da liberdade virámos todos uma cambada de toxicodepentes. Por favor, não me digam que nunca tinham pensado nisto? É tão óbviooooo...

Ironias à parte, o que foi bem explícito com o programa de hoje foi pura e simplesmente que esta votação num símbolo de opressão e repressão português foi feita com alguma leviandade. É a única explicação que encontro. Caso contrário a realidade seria que as pessoas se esqueceram que as suas acções foram de tal forma repulsivas e negativas para o nosso país, que temos um utensílio de cozinha para rapar tachos e afins que se chama salazar. E isto já nem partindo para os aspectos mais vergonhosos do percurso deste homem.

Perante opiniões como a deste jovem madeirense (que note-se, quando Maria Elisa fez referência a algumas das medidas poucas dignas de Salazar, disse que achava mal, mas pelo menos nesse tempo as pessoas não se metiam na droga), só me resta esperar que daqui em diante haja bom senso e ponderação na escolha do grande Português que, bem ou mal, será uma representação do que somos.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Grandes Portugueses

Foi com grande interesse que no passado fim-de-semana assisti ao programa Grandes Portugueses. Não que eu considere que o programa tem valor por eleger o Grande Português, porque há grandes personalidades nacionais e é tremendamente injusto para uns e outros, classificá-los.

No entanto, é inegável que nos 20 ou 30 segundos dedicados ao resumo, ainda que muito incompleto, do percurso de cada personalidade, cada Português ficou um pouquinho mais rico. Mais rico porque a nossa história se fez não de UM grande Português, mas de vários.

Em relação ao resultado da votação online, há algumas considerações que gostaria de fazer e por uma questão de organização prefiro apresentá-las por tópicos:

1 – Maria Elisa. Essa grande senhora da televisão tem realmente um imenso estatuto na televisão portuguesa. Para além de ser dar ao luxo de pura e simplesmente não comentar certas escolhas do público, saiu-se ainda a brilhante expressão “a esta hora Lisboa já deve estar a arder”, quando Pinto da Costa aparece no 17º posto da tabela classificativa.

2 – Mário Soares. É o último grande Português vivo. Convicções políticas à parte, é de louvar um senhor que, depois de anos de luta por um ideal de liberdade, aos 83 anos mantém uma actividade nacional e internacional bastante intensa.

3 – Salgueiro Maia. Foi 11º classificado, com pena minha pois merecia estar entre os 10 primeiros. Nunca teve o reconhecimento que era devido a um grande líder, e soube preservar-se do mediatismo após o 25 de Abril, mas não deixa de ser uma referência para todos nós.

4 – Amália Rodrigues. É uma das caras de Portugal e a mulher mais bem classificada da lista dos 100 maiores Portugueses.

5 – Salazar. Tantos anos de luta pela liberdade e pela democracia, para termos um ditador nos 10 primeiros...NO COMMENT

6 – Álvaro Cunhal. Por afinidade seria aquele em quem eu votaria obviamente. Sempre me assumi esquerdista, para além de ter crescido no seio de uma família que fazia reuniões secretas na cave durante os tempos da repressão. Muitas dessas reuniões foram inclusive presididas por este senhor. Acho interessante que todo o país fique a conhecer um pouquinho mais apaixonante história de vida deste homem.

7 – Por mais que me esforce não consigo perceber o que faz o D. João II nos dez primeiros…

Posto isto, e porque já comecei a escrever esta opinião há 3 dias e só agora consigo ter tempo para a terminar e publicar, e entretanto já perdi parte das ideias, assumo que não vou votar, porque tenho mais o que fazer ao meu dinheiro.

Perante a lei, pai ou criminoso?

Poderia ser mais uma notícia sobre um julgamento, mais um caso de sequestro. Mas é uma história diferente. É daquelas em que a lei dita uma pena, mas questionamo-nos se realmente foi feita justiça.

Um homem foi ontem condenado pelo tribunal de Torres Novas a 6 anos de prisão e a pagar uma indemnização de 30mil euros por se ter recusado a entregar uma criança de 4 anos, da qual era (ou tentava ser) pai adoptivo. A criança esteve a seu cargo, e da mulher, desde os 3 meses de idade.

O crime foi de "sequestro agravado". À primeira vista, parece sensato condenar alguém que comete este crime. Mas o caso aqui está longe de ser esse. Antes de avançar, convém então olhar um pouco mais atrás na história.
O bebé, hoje quase com 5 anos, nasceu de uma relação ocasional entre os pais biológicos. Na altura, o pai biológico recusou assumir responsabilidades, dizendo que desconfiava que o filho não era dele. A mãe biológica, imigrante e sem ter ninguém a quem recorrer, entregou o bebé a um casal, juntamente com uma declaração de consentimento para adopção plena. Este documento dava conta de dois factores: que o fazia por "insuficiência financeira" e que o pai era "incógnito".

Foi nestes termos que Luís Gomes e a mulher acolheram a bebé e deram início ao processo de adopção. Vieram entretanto a saber que o pai afinal não era incógnito e que reclamava agora os seus direitos paternais. O tribunal concedeu-os, mas os pais adoptivos não aceitaram entregar a criança. E, perante a lei, este casal passou de potenciais pais adoptivos a alegados raptores. A mãe e a criança estão até hoje em parte incerta. O pai aguardou na prisão.

O caso foi ontem encerrado com a condenação de Luís Gomes, sargento de profissão. A mãe continua desaparecida e será julgada assim que seja conhecido o seu paradeiro. A menina, quando encontrada, será entregue ao pai biológico, um pai que nunca conheceu.

Agora pergunto, será que a lei tem em consideração os afectos, a relação desta criança com estas pessoas que, no verdadeiro sentido da palavra, são pais dela? Foram estas as pessoas que lhe deram um lar, cuidados e o amor de uma família. Mas a lei preferiu entregar criança a um pai que ela não conhece, nunca viu e que a recusou. Será justo atribuir tanta importância à questão biológica, nestes casos? Faz algum sentido ser esse o factor decisivo?

Não defendo necessariamente a atitude dos pais adoptivos, que foram contra a lei. Mas entendo que, no fundo, tiveram que o fazer. O púnivel aqui devia ser esta lei funcionar assim, mais do que alguém a corromper. Uma lei destas, que destrói famílias e que nem sequer considera o bem-estar das crianças, é, à falta de melhor palavra, cruel. Realmente não se compreende como um juíz fica de consciência tranquila ao pôr um homem atrás das grades por 6 anos, quando a motivação de tudo isto está no amor que ele tem pela menina.
Como se isto não bastasse, veio-se a saber que esta acusação pode ser ilegítima e que pode não haver fundamento para o processo de "sequestro agravado". Em suma, não posso deixar de acusar a lei de, por vezes, ser fria e calculista e nem sempre ver com clareza. A fotografia que vi de Luís Gomes no jornal de hoje, algemado e com dois polícias a seu lado, não pareceu mentir. Era o rosto de um pai que acabara de perder um filho.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007